Reportagem: Ludovico Einaudi no CCB

Caras sérias, muito cabelo branco e uma enorme vontade comum que o relógio chegasse às 21 horas. Era este o ambiente da sala lisboeta que aguardava ansiosamente o regresso de Ludovico Einaudi e o seu Ensemble a Portugal. 
O músico italiano editou, em Fevereiro, In a Time Lapse, álbum que marcou o regresso de Ludovico às edições e foi a desculpa perfeita para o seu regresso ao nosso país. Em palco, o músico contou com uma orquestra composta por violinos, guitarras, violoncelos, um metalofone, percussão, um steel drum e “live electronics”.
Apesar de andar no mundo da música há algum tempo, foi apenas no último ano que Ludovico conseguiu uma carreira mais estabilizada, esgotando inúmeras salas por todo o mundo e disponibilizando a sua música a bandas sonoras de filmes, de séries televisivas e de anúncios publicitários. 

Ao vivo, Ludovico transmitiu, para a sua plateia, um poder extraordinariamente emotivo, um tocar repleto de calma, de meditação e de preciosidade. Esta é talvez a maior explicação para o facto de a sua música tocar tanta gente pelo mundo fora e de tantas maneiras diferentes. No meio do concerto tivemos ainda oportunidade de ouvir Ludovico a solo, mostrando igual destreza e magia mesmo sem a sua orquestra atrás. Com ou sem a panóplia de músicos que o acompanhavam, Ludovico é Ludovico.
Foram cerca de duas horas de extrema qualidade musical e o povo português ficou, certamente, com enorme vontade de ver mais uma vez este grande mestre das teclas. No fim, Ludovico foi brindado com uma longa e estrondosa ovação de pé por parte da plateia, que lhe despertou de certeza alguma curiosidade em voltar aos palcos portugueses. Nós cá o esperamos e, seguramente, com a casa cheia de novo.
Um espectáculo arrebatador e algo surpreendente, que mostrou que Ludovico está à altura dos melhores compositores de música clássica dos dias de hoje. Se a perfeição existe, nós estamos perante dela.
Resta apenas uma última palavra de agradecimento ao CCB, que nos acolheu com enorme disponibilidade e simpatia. Até à próxima.
Texto por Francisco Fidalgo

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