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Nigga Poison - Simplicidadi

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 A Optimus Discos renasceu este mês, como novos artistas e novos discos a serem disponibilizados online. Agindo como uma distribuidora de conteúdos, a Optimus Discos promove alguma da melhor música que se faz em terras lusas, defendendo sempre os artistas - as composições pertences aos músicos.
Simplicidadi é o novo disco dos veteranos do rap crioulo, Nigga Poison. Carlon e Praga, ambos filhos de cabo-verdianos, já há muito que nos habituaram às suas sonoridades. Desde as suas primeiras participações em mixtapes diversas, das quais destaco Poesia Urbana, da Horizontal Records, que temos vindo a escutar a conceito muito próprio da música que fazem. Rimas em crioulo, rápidas, contestatárias e cheias de flow. Batidas cheias de ritmos marcadamente africanos, caribenhos, com um cheiro de raggae são a receita.
Simplicidadi estreou-se esta semana nas prateleiras das lojas em formato físico e no sítio da Optimus Discos, para download grátis e legal. Konfiança na Bo, abre com um sample de raggea cheio de feeling que apresenta de imediato o que serão os quase quarenta minutos de música que se seguem. Os metais muito bem encaixados harmonizam e dão mote ao refrão com uma vibe muito positiva. A segunda malha do álbum é pesada. Força vai em frente: pelas participações de Sam the Kid e Valete, pelo beat da velha escola que nos trás memórias agradáveis dos tempos áureos do hiphop nacional. Soul, flow e batida.
Sem grana, apresenta-nos uma sonoridade extremamente electrónica e oriental. Num registo muito diferente, misturado com guitarradas distorcidas, é uma música altamente interventiva e com um olhar muito interessante sobre o tema do dinheiro. Sem descanso, e numa aproximação ao estilo dos Buraka Som Sistema, com uma sonoridade muito similar às de Lil' John, Riot e Conductor, Festa na bu zona trás-nos os ritmos do ku-duro cheios de flow.
E já perto do final, Abo é free, cheio de "sentimento claro, sem dúvidas, sem margem di erro". O raggea volta, num estilho muito clássico, com uma óbvia presença de Kingston. Aqui o crioulo brilha e corre suave sobre a sonoridade.
Em suma, Simplicidadi é um sério candidato a melhor álbum de rap nacional do ano 2011. A mistura de sonoridades, os flows sempre incisivos, variados, conseguem ser magnânimos. A não perder.
Fica aqui um cheirinho, mas pode fazer o download gratuito do albúm aqui!
9/10




REVIEW: Jay-Z & Kanye West - Watch The Throne

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Na primeira audição do álbum "Watch The Throne", concebido pela dupla de gigantes do hiphop norte-americano Jay-Z e Kanye West, sentimos um álbum que divaga, e muito bem, pelas novas sonoridades na instrumentação electrónica. Kanye é já um veterano nestas andanças desde o seu último álbum, porém, o input criativo de Jay-Z prova ser uma mais valia.
Logo na primeira faixa, No Church In The Wild, com ou sem surpresa, somos presenteados com a participação de Frank Ocean dos Odd Future - que já aqui falámos algumas vezes. A batida - muito tribal - é rasgada por sintetizadores suaves e a voz, quase cristalina, de Frank Ocean, sempre muito ateu e pouco dogmático, conduz-nos para as entradas de Jay-Z e Kanye. E o vocoder/autotune cada vez mais comum nas composições de Kanye acaba por se tornar interessante porque é bem pontuado e sem exageros. Na segunda malha, Lift Off, com a participação de Beyonce, é quase impossível não sermos transportados para um ambiente Pop / R'n'b. Um refrão muito orelhudo, cheio de soul e blues, num estilo a que já estamos habituados. Caminhando pelo álbum, encontramos algumas pérolas interessantes como Otis, uma música samplada de Ottis Redding, numa adaptação poderosa, cheia de bounce e feeling, que aproxima o registo do rap do início do século. Dentro de uma onda mais clássica do rap dos E.U.A. dos anos 90, That's My Bitch, é um excelente beat, regado com bons samples de voz femininos e com uma construção lírica que poucos conseguem. Who Gon Stop Me, é uma composição já muito electrónica, cheia de elementos e texturas sintetizadas, muito urbanas, muito novas. Quase a fechar o álbum, novamente Frank Ocean. Made in America, entra com melodias melancólicas, etéreas muito no estilo de Domo Genesis. O contraste é feito pelas vozes de Kanye e Jay-Z, e pela doçura de Frank Ocean, que concebem uma música bonita e bem construída.
O álbum é uma caixa de surpresas. Compreende-se que é o resultado de uma gestão de egos de dois pesos pesados no hiphop mundial. Está longe da genialidade individual quer de Kanye, quer de Jay-Z. É um compromisso de um trono com dois reis. As participação são muito interessantes, e a escolha de samples, sempre muito bem conseguida, faz deste um álbum que pode vir a abrir novos caminhos a novas sonoridades.
7/10

REVIEW: Mr. J. Medeiros - Saudade

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Atenção! "Saudade", o novo albúm do Mr. J. Medeiros, um americano do Colorado com nome português, é uma aproximação perigosamente deliciosa a algum feeling da cena trip-hop dos anos 90.
Lançado este mês, é um albúm que surpreende pela eloquência do flow e domínio lírico, bem como temático, num rap melancólico e suave. A palavra saudade, aqui, é uma excelente descrição da intenção do artista e do mood do albúm; são cerca de quarenta e cinco minutos, ao longo de 14 faixas, de muita reminiscência do triphop, cadenciado e depressivo por vezes, que assenta que nem uma luva aos temas. Temas como Serious, Depression is a liar, This is Not a home são excelentes malhas, a ser ouvidas mais que uma vez.
Por outro lado, há uma abordagem quase de clubbing dos dias hoje, com composições mais electrónicas e contemporâneas. Em Swallow (com a participação de Logan) não há como fugir: Kanye West é notoriamente uma referência. Nestas construções muito electrónicas, há uma grande humanização nas líricas e os refrões e rimas ficam mais elaborados; sente-se, claro, a cena de L.A., uma influência musical muito presente também.
É um albúm agradável que vem como alguma coisas frescas e novas. A ouvir!
7/10


VIDEO: SET Beatbombers @ IDA DJ WORLD CHAMPIONSHIP 2010

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A participação dos Beatbombers (Dj Ride e Steressauro) no campeonato mundial de DJing é um marco assinalável. São a prova viva da imensa pluralidade musical que os novos, e cada vez mais emergentes, artistas nacionais têm muitas cartas para dar. O Edição Limitada tem o prazer de apresentar o vídeo com uma exibição memorável da parelha portuguesa.

REVIEW: Stereossauro - Até Borras-te Vol.3

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A Portugalidade na música ou a musicalidade em Portugal. O que importa é que o que é Nacional, é bom.
É com enorme prazer que apresento uma das melhores mixtapes que já tive o prazer de ouvir. Directamente das Caldas da Rainha, com uma geografia musical com fortes nomes ligados ao beatmaking, scratch (DJ Ride), Stereossauro presenteia-nos com "Até Borras Te", Vol 3."
Com uma samplagem cuidada, fortemente inspirada na musicalidade portuguesa (José Cid) e faladas em português, num crossover perfeito com alguns excertos de hinos do rap português (Valete, Boss AC), é uma mixtape cheia de sentimento e groove. Excelentes passagens, com boas entradas dos vários samples, desde produções de Sam the Kid, Meco, Sagas.
A qualidade do som é digna de ser ouvida nos melhores sistemas. Já há muito tempo que o movimento hiphop nacional se libertou das amarras dos beats amadores e agora vemos autênticas construção cheias de Rnb, Soul e muito feeling.
Somos surpreendidos por samples de skecthes de Herman José e desenhos animados dobrados por vozes conhecidas da infância de muitos de nós, nascidos nos anos oitenta. Scratchs de DJ X-Acto preenchem uma das faixas que é rasgada por um loop de guitarra muito portentoso e apetecível.
É raro encontrarmos no panorama musical português um albúm assim: uma panóplia de efeitos bem cortados e encaixados. Esta mixtape é uma prova de que a cena hiphop portuguesa continua em alta e está melhor a cada dia que passa.
9/10