Mostrar mensagens com a etiqueta album. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta album. Mostrar todas as mensagens

REVIEW: Mr. J. Medeiros - Saudade

with 0 comments

Atenção! "Saudade", o novo albúm do Mr. J. Medeiros, um americano do Colorado com nome português, é uma aproximação perigosamente deliciosa a algum feeling da cena trip-hop dos anos 90.
Lançado este mês, é um albúm que surpreende pela eloquência do flow e domínio lírico, bem como temático, num rap melancólico e suave. A palavra saudade, aqui, é uma excelente descrição da intenção do artista e do mood do albúm; são cerca de quarenta e cinco minutos, ao longo de 14 faixas, de muita reminiscência do triphop, cadenciado e depressivo por vezes, que assenta que nem uma luva aos temas. Temas como Serious, Depression is a liar, This is Not a home são excelentes malhas, a ser ouvidas mais que uma vez.
Por outro lado, há uma abordagem quase de clubbing dos dias hoje, com composições mais electrónicas e contemporâneas. Em Swallow (com a participação de Logan) não há como fugir: Kanye West é notoriamente uma referência. Nestas construções muito electrónicas, há uma grande humanização nas líricas e os refrões e rimas ficam mais elaborados; sente-se, claro, a cena de L.A., uma influência musical muito presente também.
É um albúm agradável que vem como alguma coisas frescas e novas. A ouvir!
7/10


REVIEW: Jamie XX/Gil Scott-Heron - We're New Here

with 0 comments
We're New Here é o nome do novo álbum de remisturas de Jamie XX, recente promessa da música electrónica. Aqui, o autor re-trabalha os temas de I'm New Here, o último CD do mestre do spoken word/proto-rap Gil Scott-Heron. Confere-lhes uma roupagem própria, algo que varia entre coisas que poderiam ser perfeitamente dos seus XX entre sons que devem mais ao dubstep ou a uma electrónica que não tem medo de fazer experiências.

A questão é que essas experiências nem sempre resultam na prática. Durante os quase 37 minutos que corre, We're New Here consegue tanto ter momentos muito bons como cair num tédio em que só passar à frente consegue ajudar.

O álbum começa muito bem: há aqui muitas brincadeiras com samples e a própria voz de Scott-Heron marcha que nem ginjas. Passam-se as primeiras três, quatro músicas e aqui começa-se a sentir algo de errado. Sente-se que há uma presença de ideias inacabadas, uma certa repetitividade nas batidas, a ausência de algo que mantenha o ouvinte agarrado ao longo do CD e, por isso mesmo, acaba por se tornar uma escuta um bocado sofrível para quem não seja fã ferrenho da sonoridade ou esteja mesmo interessado na obra dos autores.

Mas nem tudo é mau neste álbum. O rapaz XX consegue criar alguns momentos bem passados , mostrando o seu potencial e criatividade em músicas como I'm New Here (que faz lembrar um trip hop de garras afiadas), The Crutch (que, não sendo genial, trabalha bem texturas etéreas ligadas a batidas dnb e à voz de Scott-Heron), NY Is Killing Me (uma tomada genial das convenções do dubstep e do grime) ou I'll Take Care of You (sem dúvida, o som mais XX do CD inteiro e algo que, com o piano, puxa lembranças para um som ravey sem perder a calma e minimalismo que lhe caracteriza a arte).

Resumindo, We're New Here acaba por ser uma manta de retalhos sob a forma de remisturas de um álbum que, na sua versão original, também não é o mais genial de sempre. Aqui ouvem-se influências de áreas da electrónica desde o dubstep ao drum n'bass e Jamie XX acaba por conseguir mostrar o seu potencial criativo em algumas delas. Só falha em conseguir fazer algo que mantenha um certo nível de continuidade em termos de qualidade auditiva, perdendo-se em ideias que, apesar de mostrar uma identidade própria parecem inacabadas, repetitivas e entediantes. A ouvir pelos fãs dos autores ou de electrónica.

5.5/10

Ouçam, em baixo, o álbum inteiro disponível para streaming.