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Domo Genesis - Under the Influence

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Descobri a rapaziada dos OFWGKTA este ano e fui surpreendido pelo feeling inovador de Tyler The Creator e restante rapaziada.
O colectivo musical tem estado empenhado na produção e distribuição de conteúdos novos, e 2011 tem sido um ano profícuo: Goblin de Tyler The Creator e Nostalgia, Ultra do Frank Ocean. Agora, depois de Rolling Papers (2010), Domo Genesis presenteia-nos com Under The Influence.
Numa primeira audição, é notável a diferença de sonoridade a que estamos habituados dos Odd Future. Apesar de ser obviamente o rapper mais simples na construção de rimas, mais mellow e stoner assumido, Domo Genesis afasta-se dos beats quebradas, sintetizadores químicos e baixos preenchidos, registo muito presente em Rolling Papers. Em Under the Influence entramos num mundo mais mellow, repleto de samples de soul, jazz e blues. Beats mais clássicos, que não dispensam os orgãos lancinantes que harmonizam um flow arrastado que acaba por deliciar. Com abertura, Mission Statement, transmite-nos para aquele hiphop do final dos anos 90, urbano, mas repleto de sentimento. E, novamente, os orgãos, desta feita, ligeiros e suaves. E seguimos com beats que nos fazem lembrar Gangstarr, nas primeiras produções do Dj Premiere. Depois de um interlúdio, L-Boy Interlude, que ilustra a realidade dos OFWGKTA, acabamos por encontrar Let's Smoke, um som frio e incrivelmente honesto sobre a visão de Domo Genesis da indústria que, nós últimos anos, o tem vindo a idolatrar.
Glory é possivelmente o registo mais electrónico, com algumas incursões nas expressões musicais das produções de Tyler. Sentimos aqui a influência da composição de Kanye West. Liricamente, apesar de não ser muito elaborado, nem nada de novo, segue um estilo clássico que se adapta perfeitamente às produções. Os beats são escolhidos de forma ponderada e o álbum acaba por soar bem e com total coesão. Pois sim, é um excelente release da época de Outono e é sem dúvida um álbum para ir sentindo.
8/10

REVIEW: Jay-Z & Kanye West - Watch The Throne

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Na primeira audição do álbum "Watch The Throne", concebido pela dupla de gigantes do hiphop norte-americano Jay-Z e Kanye West, sentimos um álbum que divaga, e muito bem, pelas novas sonoridades na instrumentação electrónica. Kanye é já um veterano nestas andanças desde o seu último álbum, porém, o input criativo de Jay-Z prova ser uma mais valia.
Logo na primeira faixa, No Church In The Wild, com ou sem surpresa, somos presenteados com a participação de Frank Ocean dos Odd Future - que já aqui falámos algumas vezes. A batida - muito tribal - é rasgada por sintetizadores suaves e a voz, quase cristalina, de Frank Ocean, sempre muito ateu e pouco dogmático, conduz-nos para as entradas de Jay-Z e Kanye. E o vocoder/autotune cada vez mais comum nas composições de Kanye acaba por se tornar interessante porque é bem pontuado e sem exageros. Na segunda malha, Lift Off, com a participação de Beyonce, é quase impossível não sermos transportados para um ambiente Pop / R'n'b. Um refrão muito orelhudo, cheio de soul e blues, num estilo a que já estamos habituados. Caminhando pelo álbum, encontramos algumas pérolas interessantes como Otis, uma música samplada de Ottis Redding, numa adaptação poderosa, cheia de bounce e feeling, que aproxima o registo do rap do início do século. Dentro de uma onda mais clássica do rap dos E.U.A. dos anos 90, That's My Bitch, é um excelente beat, regado com bons samples de voz femininos e com uma construção lírica que poucos conseguem. Who Gon Stop Me, é uma composição já muito electrónica, cheia de elementos e texturas sintetizadas, muito urbanas, muito novas. Quase a fechar o álbum, novamente Frank Ocean. Made in America, entra com melodias melancólicas, etéreas muito no estilo de Domo Genesis. O contraste é feito pelas vozes de Kanye e Jay-Z, e pela doçura de Frank Ocean, que concebem uma música bonita e bem construída.
O álbum é uma caixa de surpresas. Compreende-se que é o resultado de uma gestão de egos de dois pesos pesados no hiphop mundial. Está longe da genialidade individual quer de Kanye, quer de Jay-Z. É um compromisso de um trono com dois reis. As participação são muito interessantes, e a escolha de samples, sempre muito bem conseguida, faz deste um álbum que pode vir a abrir novos caminhos a novas sonoridades.
7/10